Por Leandro Assis

A integração entre sistemática e
evolução insere um componente histórico na pesquisa da biodiversidade. Nesse
contexto, o papel do sistemata ou do biólogo evolutivo é descobrir como as
relações de parentesco (genealógicas ou filogenéticas) da biodiversidade
aconteceram ao longo de sua evolução. Ou seja, o sistemata procura descobrir e explicar
o padrão evolutivo da árvore da vida. Ele investiga, por exemplo, quem, entre o
abacate, a laranja e a maçã, são mais próximos genealogicamente ou
filogeneticamente. Com base na comparação de características morfológicas e
genéticas e na utilização de certos
métodos e modelos matemáticos, os sistematas têm confirmado que a maçã e a
laranja possuem um ancestral comum mais recente em relação ao abacate. Mas a
laranja, a maçã e o abacate possuem um ancestral comum mais recente em relação
à samambaia.

Para entendermos a diferença
entre ciência histórica e ciência experimental, então, é necessário entendermos
a assimetria temporal dos eventos naturais. A ciência histórica usa as evidências
que existem no presente para inferir eventos passados, enquanto a ciência
experimental prevê eventos futuros. No entanto, tais relações podem se
sobrepor. Certos pesquisadores acreditam que a análise experimental é
científica, porque as observações podem ser criteriosamente controladas e
testadas. Já no caso da análise histórica, onde as variáveis ambientais não
podem ser facilmente controladas e os eventos não são observáveis, os críticos
dizem que tal análise é frágil e imprecisa, portanto, não científica. No
entanto, uma vez que entendemos a assimetria temporal dos eventos naturais e os
tipos de evidência contemplados, tal consideração torna-se filosoficamente
insustentável. As duas formas de análise, portanto, são genuinamente
científicas.
Agradecimentos
Agradeço aos
organizadores do blog ‘Ciência é...’, Lívia Pinheiro, Pedro Da Pos, Rafaela
Falaschi, e também à Vanessa Roma pelos comentários e correções valiosos.
Sobre
o autor
Leandro Cézanne de Souza Assis É sistemata filogenético, que busca a
compreender e organizar a biodiversidade em constante transformação, desde os
tempos mais remotos até os dias de hoje. Estuda em particular as lauráceas,
plantas com flores (angiospermas), que agrupam o abacateiro, a cânfora, as
canelas e o louro. Nas horas vagas, caça borboletas do gênero Vanessa, anda de ‘esqueite’ e vai ao
cinema. Lattes.
Figuras
e respectivos sites:
- A árvore da vida (Gustav Klimt, de 1905-1909) http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.mcs.csueastbay.edu/~malek/Klimt/Klimt27.html
- Árvore monofilética dos organismos (Ernst Haeckel, 1966) http://en.wikipedia.org/wiki/Ernst_Haeckel